Profissão motorista – Mulheres ainda são minoria

Muito já se avançou na questão da inserção da mulher no mercado de trabalho. Porém, certas profissões ainda parecem ser inacessíveis para elas. É o caso das motoristas profissionais, onde em alguns segmentos elas chegam a ser 0,5%.

Em muitos aspectos, as sociedades humanas amadureceram bastante em relação aos direitos e empoderamento das mulheres. No início do século XIX elas ainda pleiteavam a possibilidade de votar no Brasil. Esse direito só foi conquistado em 1932. Hoje o cenário parece ser diferente. Por exemplo, cresce o número de mulheres na chefia de empresas; nas universidades elas já são maioria. Mas ainda há espaços em que essas conquistas não se fazem tão percebidas. Um exemplo disso é na profissão das motorista mulher.

Números da profissão motorista mulher

Para se ter uma ideia, a Confederação Nacional de Transportes (CNT), em sua pesquisa anual (2019), fez um levantamento mostrando que, entre os caminhoneiros, as mulheres representam apenas 0,5% do total. Se partirmos para o universo dos aplicativos de transporte, como Uber, os números melhoram um pouco. Mas nem de perto estão próximo do ideal. Dados da própria empresa apontam que elas são minoria de mercado. O segmento representa apenas 6% em um universo de 600 mil motoristas cadastrados.

Esse hiato feminino como profissional dos transportes pode ser explicado de diversas maneiras. Uma hipótese é a própria questão da preferência ou gosto pela profissão em questão. A outra é a segurança: até que ponto as mulheres se sentem seguras para, por exemplo, saírem pelas ruas de uma grande metrópole à espera de um passageiro? Há ainda a dificuldade de concatenar um ofício tão exigente do ponto de vista físico e mental à jornada dupla casa-trabalho – realidade de muitas mulheres. 

Para além das divagações deste ou daquele motivo – que podem não sair no campo da subjetividade -, uma coisa é certa: a profissão de motorista parece, por enquanto, estar permeada de barreiras às profissionais que almejam “um lugar ao sol”.

Fatos e argumentos

Mas como ser motorista mulher em um espaço quase que exclusivamente masculino? A tarefa não parece ser das mais fáceis. Dos xingamentos à falta de confiança na capacidade da mulher em dirigir, os obstáculos parecem ser infindáveis. Quem nunca ouviu a piada “mulher no volante, perigo constante?” Todavia, contra fatos não há argumentos. Mulheres são mais prudentes ao volante e, por isso mesmo, se envolvem menos em acidentes. Mais de 80% das vítimas fatais são do sexo masculino.

Os acidentes em que elas se envolvem são de menor dano material e pessoal. Quando elas se dispõem a entrar na disputa, correm o saudável risco de serem eleitas as melhores na área – justamente por uma característica bem peculiar e que está bem atrelada às mulheres: são mais empáticas e cuidadosas.

Oportunidade de segmentação

Algumas empresas estão de olho em todo este cenário. Elas têm em vista o potencial quantitativo e qualitativo do mercado de motoristas do sexo feminino. Empresas de transporte já têm optado por criar soluções que permitem uma maior inserção das mulheres. É o caso da plataforma Delas, onde motoristas e clientes precisam ser mulheres. Embora o aplicativo permita levar homens que estejam acompanhados por mulheres, a decisão final é sempre da motorista. 

Esse novo modelo de negócio é, de algum modo, uma forma de empoderamento feminino. De um lado, quebra a barreira existente para as mulheres na profissão. Do outro, possibilita uma inserção segura e comprometida com a segurança e o bem-estar das mulheres neste nicho de mercado, tanto para as motoristas, quanto as passageiras.

De mulher pra mulher

Outro ponto interessante nessa segmentação de mercado é transporte de passageiros. Mulheres normalmente preferem ser atendidas por mulheres. Segurança – lembre que elas se acidentam menos! – empatia, gentileza, e capacidade de escuta são apenas alguns dos fatores incluídos neste pacote.

“Ter que ir para algum lugar com um motorista que sequer já vimos é bastante desconfortável, ainda mais quando você não conhece bem aquela cidade. Levo sempre em conta que mulheres são mais frágeis, têm menor força física. Por estes e outros fatores, estão vulneráveis a uma série de situações que podem ser, de fato, perigosas. Nesse sentido, ter uma motorista mulher faz toda diferença, inclusive alivia o stress da viagem”, relata Mirian Silva, publicitária, moradora de Blumenau.

8 de Março

Neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, e depois de tudo isso que falamos, fica o convite à reflexão: quantos passos ainda precisamos dar para que, de verdade, as mulheres sejam plenamente inseridas nas diversas profissões do mercado de trabalho? Quais mudanças precisamos fazer? Tanto no nível pessoal, quanto no coletivo, para que profissões consideradas inseguras, ou simplesmente extenuantes, sejam cada vez mais ocupadas pelas mulheres? Até que tenhamos as respostas adequadas para tais questões, a certeza que fica é a de que, sim. Mudamos muito, mas ainda há muito por fazer. 

E você, quer ser parte da mudança que queremos ver no mundo?

Tome nota!

O Dia Internacional da Mulher foi criado, em parte, como referência às manifestações operárias de meados do século XIX, nos Estados Unidos. Na época, a jornada de trabalho delas chegava a 16h diárias, e a reivindicação era para que se caísse para 10h, além de melhores condições de trabalho e paridade com o tratamento dado aos homens. Algumas dessas manifestantes acabavam trancadas e eram queimadas vivas. Uma tragédia!

Ainda hoje, em muitos países, ainda há direitos básicos a serem conquistados, como o de sair sozinha às ruas, ao voto, o direito à educação, creches para seus filhos, entre outros.

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